Dungeons & Dragons, conhecido por ser o berço dos RPGs de mesa, enfrentou sérios problemas legais envolvendo a família de J.R.R. Tolkien. O uso de termos e raças diretamente inspirados em O Senhor dos Anéis causou atritos jurídicos no início da trajetória do jogo.
Termos como "Hobbit", "Ent" e "Balrog" foram utilizados nas primeiras edições do D&D, o que levou os detentores dos direitos autorais do espólio Tolkien a moverem uma ação. Isso forçou mudanças rápidas e significativas nos materiais publicados.
O que você vai ler neste artigo
As origens da influência de Tolkien em D&D
Desde o início, a riqueza do universo criado por Tolkien serviu como base de inspiração para os criadores de Dungeons & Dragons, Gary Gygax e Dave Arneson. A popularidade de O Senhor dos Anéis entre os fãs de fantasia nos anos 1970 influenciou diretamente a concepção do jogo.
No entanto, o entusiasmo dos criadores os levou a adotar termos protegidos por direitos autorais sem a devida autorização. A inclusão de raças como Hobbitse a menção direta a criaturas como Balrogschamaram a atenção do Tolkien Estate, que não tardou a agir.
Essa influência gerou problemas jurídicos que culminaram em uma ação legal contra a TSR, empresa responsável por publicar o jogo à época. Pressionada, a empresa concordou em alterar os conteúdos infratores, retirando menções protegidas das edições futuras.
As alterações feitas pela TSR
Após sofrer pressão legal, a TSR foi obrigada a modificar diversas partes do sistema. A principal mudança foi a substituição de nomes diretamente ligados ao universo de Tolkien por novas denominações.
Entre as alterações mais emblemáticas:
- "Hobbit" passou a ser chamado de halfling(ou "meio-homem").
- "Ent" foi renomeado como treant, uma criatura semelhante, mas com nome próprio.
- "Balrog" deixou de ser mencionado diretamente, sendo substituído por versões originais criadas especialmente para D&D.
Essas modificações permitiram ao jogo manter a fantasia medieval como tema, mas com identidade própria. Essa separação foi essencial para evitar futuras disputas legais e seguir com uma linha editorial independente.
A consolidação de Forgotten Realms
Com o tempo, D&D buscou desenvolver mundos próprios, livres da sombra de Tolkien. Um dos universos mais importantes nesse processo foi Forgotten Realms, criado por Ed Greenwood. Nele, as influências tolkienianas deram lugar a uma mitologia rica, mas autônoma.
Apesar da convivência de elementos como elfos, anões e dragões – presentes tanto em Tolkien quanto em D&D –, os mundos passaram a ter característica distintas. Forgotten Realms, por exemplo, traz deuses interativos, regiões inspiradas em múltiplas culturas e tramas que se expandem por séculos.
A decisão de evitar Hobbitse outros elementos protegidos transformou o cenário em um espaço de criação original. Forgotten Realms se tornou referência para aventuras tanto de iniciantes quanto de mestres veteranos.
Impactos duradouros no RPG e na cultura pop
A tensão com o espólio de Tolkien acabou beneficiando D&D a longo prazo. Ao remover termos licenciados e adotar criações próprias, o jogo se livrou de amarras jurídicas e abriu espaço para inovações mecânicas e narrativas.
Isso também contribuiu para a consolidação de uma identidade distinta: enquanto O Senhor dos Anéis permanece canonizado como fantasia épica literária, D&D encontrou seu espaço como estruturador de experiências colaborativas e mecânicas de jogo desenvolvidas em grupo.
Atualmente, o sistema abriga mundos próprios como Eberron, Ravenloft e Dragonlance, sem recorrer diretamente ao material tolkieniano. Isso permitiu ao jogo crescer sem depender de propriedades intelectuais externas.