Crimson Desert, novo título ambicioso do estúdio sul-coreano Pearl Abyss, continua despertando curiosidade com cada nova prévia. Apresentando uma mistura de inspirações que vão de The Legend of Zelda a GTA 5, o jogo aposta em variedade e liberdade em um espaço vasto e tecnicamente impressionante.
Mas tamanha ambição levanta dúvidas. Será que essa tentativa de unir tantos elementos distintos resultará em profundidade e coesão ou em uma experiência rasa e dispersa?
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Mundo aberto grandioso, mas com direção?
Ao revelar que o mundo de Pywel será "no mínimo duas vezes maior que Skyrim" e ultrapassará Red Dead Redemption 2 em extensão, a Pearl Abyss parece indicar que Crimson Desert buscará escalar em tamanho e liberdade. A beleza visual do universo, com vilas movimentadas, rios reativos e efeitos climáticos que interferem no combate, reforça essa ambição.
Influências diversas em uma mistura arriscada
A cada demonstração, Crimson Desert evoca novas influências. Em alguns momentos, lembra as batalhas intensas de Monster Hunter; em outros, propõe saltos criativos como os de Zelda: Tears of the Kingdom. O sistema de combate parece beber fortemente de Street Fighter e da abordagem tática de The Witcher 3.
Contudo, tantas comparações indicam uma possível armadilha: não há identidade própria claramente definida. A pluralidade de inspirações pode se perder caso os numerosos sistemas não funcionem em conjunto com objetivos e temas narrativos coerentes. A comparação com estúdios veteranos, como Nintendo e CD Projekt Red, evidencia a dificuldade de se guiar sem uma base narrativa e estrutural madura.
Novos protagonistas e mais camadas a considerar
Recentemente, além do protagonista Kliff Macduff, dois novos personagens jogáveis foram confirmados para Crimson Desert. Um deles é uma mulher armada com pistolas mágicas e habilidades de esquiva rápidas; outro, um guerreiro brutal com um machado e uma metralhadora acoplada ao braço.
Essas adições prometem variedade nas mecânicas de combate, mas também adicionam complexidade a uma estrutura que já parece sobrecarregada. A dúvida que surge é se haverá profundidade narrativa suficiente para justificar suas presençasou se essas figuras serão apenas variações temáticas para o combate.
Crimson Desert se passa em um universo onde convivem dragões, mechas e trens a vapor. A experiência do jogador, no entanto, pode se tornar desconexa se muitos desses elementos forem apenas aparências estilizadas, sem integração real com o desenvolvimento das missões ou do enredo principal.
Missões e narrativa ainda nebulosas
Apesar de se destacar nos sistemas de combate e no uso de elementos reativos do mundo, Crimson Desert ainda não apresentou com clareza uma narrativa principal que sustente a longa jornada prometida. As missões apresentadas até o momento são basicamente cercos a castelos e confrontos contra chefes, com pouca construção emocionalou desenvolvimento de personagens.
Exceções ocorrem, como a missão envolvendo um inventor excêntrico e seu dragão mecânico dourado. Esse nível de criatividade é promissor, mas isolado. O receio persiste de que o jogo possa priorizar espetáculo e força bruta sem oferecer momentos de conexão emocional — algo que títulos como Red Dead Redemption 2 e The Witcher 3 dominam com maestria.
Um passo maior que a perna?
Com um mundo vasto, três protagonistas jogáveis, sistemas reativos, múltiplas inspirações e promessas de liberdade de exploração, Crimson Desert mira alto. O projeto quer entregar tudo o que jogadores desejam em um RPG de mundo aberto. No entanto, tamanho apetite levanta a dúvida inevitável: há coesão suficiente para que tudo pareça parte de um mesmo jogo e não um patchwork de boas ideias?
Crimson Desert é visualmente impressionante, conta com combate fluido e um universo que explode em possibilidades. O desafio não está em ser divertido momentaneamente — o que, até aqui, parece funcionar — mas sim em garantir que todas essas partes distintas formem um todo significativo. A expectativa é alta, mas a cautela é inevitável.
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