O clássico MMO GemStone IV celebra 35 anos de sucesso

Crédito: Simutronics

Muitos jogos online vêm e vão, mas alguns poucos resistem ao tempo com uma base fiel e apaixonada. É o caso de GemStone IV, um dos mais antigos MUDs (Multi-User Dungeons) ainda em atividade, que comemora nada menos que 35 anos de existência.

Mesmo sem gráficos modernos ou campanhas publicitárias milionárias, o jogo mantém uma base ativa de milhares de jogadores e continua sendo administrado por uma equipe robusta de gamemasters e desenvolvedores dedicados.

O que é GemStone IV e por que ainda está vivo?

Lançado ainda nos primórdios da internet, GemStone IV nasceu no ambiente das primeiras ISPs — como Genie, Prodigy e AOL — por volta de 1990. Em 1997 migrou para a web e, mesmo tantas décadas depois, mantém sua proposta original: oferecer um mundo textual riquíssimo em lore, interatividade e sistema de combate.

Sua longevidade deve-se, em parte, à dedicação de sua equipe e comunidade. De acordo com Wyrom, atual gerente de produto, o jogo conta com aproximadamente 40 gamemasters freelancers, organizados em quatro frentes principais:

  • Produção
  • Desenvolvimento
  • Eventos
  • Experiência do jogador

Esse modelo de gestão permite não apenas operações constantes, mas também atualizações regulares e eventos como o famoso Duskruin, uma arena PvE que comemora uma década de existência juntamente com o aniversário do próprio jogo.

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Um modelo clássico com desafios modernos

Mesmo mantendo muitas de suas características originais, GemStone IV não ficou completamente imune à evolução do mercado. Com o passar dos anos, passou a adotar estratégias de monetização mais próximas dos MMOs contemporâneos, como assinaturas premium e microtransações.

Desde 1999, o jogo oferece três níveis de assinatura:

  • Básica:valor estimado em US$ 15 mensais
  • Premium:com mais benefícios e comandos exclusivos
  • Platina:que chega a custar US$ 50 por mês

Além disso, eventos pagos e sistemas de microtransações passaram a fazer parte da estrutura a partir de 2013. Apesar disso, cada implementação trouxe debates internos e reações da comunidade.

Conforme o próprio Wyrom menciona: “Sempre há alguém que quer que as coisas sejam como eram antes”.

Comunidade como combustível de sobrevivência

Mesmo com todas as mudanças, o verdadeiro motor de GemStone IV continua sendo sua comunidade. Embora o número de novos jogadores mensais seja modesto — cerca de um ou dois completamente novos, com outros veteranos retornando após anos — o jogo parece estável.

Wyrom acredita que o atual cenário de interesse crescente em jogos retrô ajuda a manter essa chama acesa. “Acho que temos uma ressurreição no interesse por jogos clássicos… e isso nos beneficia (…). Sinto que estamos no controle do nosso próprio destino.”

Essa relação entre equipe e comunidade se reflete diretamente na frequência com que novos conteúdos são lançados. Mesmo com pressões corporativas por crescimento e performance, há um esforço visível para equilibrar inovação com preservação do espírito original do projeto.

Sobreviver mais 35 anos?

Em tempos de MMOs grandiosos e gráficos hiper-realistas, GemStone IV segue à margem desse mercado, mas encontra neste nicho sua força. Seus jogadores não querem uma experiência visual fulminante, e sim envolvimento, consistência e liberdade criativa.

Wyrom reconhece que há um desejo constante de empurrar os limites, mas também uma responsabilidade com quem já está lá. O objetivo? Continuar existindo. Oferecer mais mundos, histórias e sistemas para aqueles que, décadas depois, ainda encontram ali o seu lar digital.

Mesmo que os grandes destaques da indústria passem longe de um MUD em 2024, é reconfortante saber que ainda existem universos funcionando quietamente por trás de comandos digitados e telas. E que, enquanto houver quem deseje explorá-los, eles seguirão vivos.

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