A compra da Rovio pela Sega, concluída em setembro de 2023 por US$ 776 milhões, foi feita com a expectativa de impulsionar sua presença no mercado mobile. No entanto, menos de um ano depois, a Sega reconhece que os resultados ficaram aquém do esperado.
A empresa admitiu perdas significativas e reviu suas projeções financeiras, atribuindo as dificuldades a mudanças repentinas no cenário global de jogos mobile, marcado por forte competição e novas tendências de consumo.
Sega reduz valor da Rovio em US$ 200 milhões
Através de seu relatório financeiro mais recente, a Sega Sammy Holdings confirmou uma baixa contábil significativa relacionada à aquisição da Rovio. A empresa anunciou uma desvalorização de ¥30,4 bilhões (cerca de US$ 198 milhões), o que efetivamente rebaixa o valor da Rovio para aproximadamente US$ 578 milhões — bem abaixo dos US$ 776 milhões pagos inicialmente.
Segundo a Sega, a decisão teve como base a constatação de que a “quantia recuperável” do investimento caiu drasticamente devido ao desempenho inferior da Rovio. A queda na rentabilidade da divisão mobile forçou uma revisão nas previsões operacionais e alertas de prejuízos extraordinários aos acionistas.
Mercado mobile se transforma com velocidade surpreendente
Apesar de reconhecer o potencial de crescimento do setor de jogos para celular, a Sega apontou transformações rápidas no ambiente competitivo como um dos principais desafios. Novos títulos de grandes editoras passaram a dominar rankings de downloads e receitas num curto intervalo de tempo, tornando a aquisição de usuários mais difícil e cara.
Ao apontar esse cenário desafiador, a empresa destacou que a Rovio enfrentou obstáculos para executar a estratégia inicialmente traçada, o que comprometeu seu desempenho no curto prazo. O segmento mobile, embora promissor, exige capacidade de adaptação constante frente às flutuações do mercado e às novas expectativas do público.
Estratégia da Sega em mobilidade revela riscos
A entrada da Sega no mercado mobile via Rovio fazia parte de um movimento mais amplo para diversificar seu portfólio e reduzir a dependência de consoles tradicionais. A intenção era aproveitar a expertise da criadora de Angry Birds para desenvolver novas iniciativas ou integrar propriedades intelectuais já consagradas da Sega nesse formato.
Contudo, os resultados mostram que a aposta na Rovio tem se mostrado mais arriscada do que o previsto. A empresa finlandesa ainda possui forte reconhecimento com a marca Angry Birds, mas a saturação do IP e a tempestade competitiva global colocaram em xeque sua relevância no mercado de jogos móveis atual.
Entre os entraves enfrentados, destacam-se:
- Crescente presença de títulos asiáticos de alto orçamento;
- Mecanismos agressivos de monetização por concorrentes;
- Mudanças nas políticas de privacidade de plataformas como iOS e Android, que dificultam a segmentação de anúncios;
- Alto custo de aquisição de jogadores.
Outras frentes da Sega apresentam melhor desempenho
Apesar do revés com a Rovio, a Sega segue obtendo bons resultados através de outras divisões. O estúdio japonês é responsável por títulos renomados, como Company of Heroes (Relic Entertainment), Two Point Campus (Two Point Studios), e especialmente a série Persona (Atlus), que mantém excelente aceitação global.
Além disso, a própria franquia Sonic vem atravessando um bom momento. O lançamento de Sonic Racing: CrossWorlds em setembro de 2025 foi bem recebido, conquistando nota 9/10 em avaliações da crítica especializada. O jogo se destacou por sua vasta seleção de personagens, pistas criativas e ampla personalização.
Esse contraste interno ressalta que, embora a Rovio não tenha alcançado os objetivos esperados, a Sega ainda conta com ativos valiosos e mercados fortes que sustentam seu modelo de negócios — ao menos até que uma nova estratégia para o setor mobile seja delineada.
Caminho incerto, mas aprendizados relevantes
Para a Sega, o revés com a Rovio reforça a volatilidade do setor mobile e os riscos envolvidos em aquisições de grande porte em ambientes incertos. Embora a empresa não tenha dado sinais de desistência do mercado, é evidente que ajustes estratégicos serão necessários.
A experiência evidencia a importância de cautela ao investir em propriedades intelectuais com forte apelo histórico, mas desempenho instável nas condições de mercado contemporâneas. A Sega aprende, num cenário competitivo como o dos jogos móveis, que nem mesmo marcas populares garantem retorno automático.
A busca pela relevância nesse setor exigirá revisões profundas, possivelmente maior integração entre franquias da própria Sega e a tecnologia da Rovio — desde que venha acompanhada de inovação real e respostas rápidas às constantes mudanças do mercado.
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