Nintendo explica polêmica do mundo aberto em Metroid Prime 4

O aguardado Metroid Prime 4: Beyond chegou aos consoles da Nintendo após um extenso e conturbado ciclo de desenvolvimento. Embora tenha sido bem recebido em diversos aspectos, não escapou de críticas significativas, principalmente relacionadas ao seu hub de mundo aberto.

A estrutura da área central do jogo, um deserto amplo percorrido em uma motocicleta, dividiu opiniões dos jogadores. Mesmo assim, a Nintendo afirmou que não havia espaço para mais uma reformulação após reiniciar o projeto ao transferi-lo para a Retro Studios.

Reboot, expectativas e compromissos

Metroid Prime 4 foi anunciado originalmente na E3 2017, mas o desenvolvimento inicial, conduzido pela Bandai Namco, não atendeu às expectativas da Nintendo. Em janeiro de 2019, o projeto foi totalmente reiniciado com a Retro Studios reassumindo o trabalho, o que já causou grande atraso na produção.

Durante uma entrevista concedida à Famitsu, a equipe responsável revelou que a proposta de adicionar uma dimensão de mundo aberto veio, em parte, por influência do sucesso de The Legend of Zelda: Breath of the Wild. A intenção era experimentar essa liberdade dentro do universo de Metroid, mas sem comprometer os pilares da franquia, como a progressão baseada em habilidades adquiridas gradualmente.

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A proposta do hub aberto

Para equilibrar a identidade da franquia com a novata ambição de mundo aberto, a Nintendo optou por criar um hub explorável com liberdade limitada. Essa área serve como um ponto central que conecta outras regiões, mantendo o espírito de progressão e desbloqueios aos poucos.

O uso da motocicleta dentro do hub não foi apenas uma escolha estética, mas também uma tentativa de oferecer um ritmo diferente entre os segmentos tradicionais de exploração. No entanto, a execução não convenceu parte significativa dos jogadores, que apontaram a mecânica como monótona e desconexa da narrativa principal.

Mudanças no mercado e limitações internas

Ao longo dos anos de produção, o cenário da indústria de jogos evoluiu. Jogos de tiro e títulos de ação aceleraram seu ritmo e introduziram novas formas de engajamento com o público. Ainda assim, a Nintendo preferiu manter um estilo mais clássico em Metroid Prime 4: Beyond, ignorando algumas dessas tendências modernas.

Em suas palavras, a empresa reconheceu que as percepções sobre mundos abertos mudaram ao longo do tempo, mas que alterar novamente o conceito central do jogo seria inviável. Isso porque o título já havia passado por uma reformulação completa — e uma nova reestruturação colocaria em risco seu lançamento definitivo.

Compromissos que moldaram o jogo final

A decisão de manter o design do hub também foi impactada pela origem da ideia, que antecede a entrada da Retro Studios no comando do desenvolvimento. Elementos como os poderes psíquicos de Samus, agora integrados à jogabilidade por meio da manipulação do Charge Beam, também nasceram nesse estágio inicial do projeto.

Segundo a Nintendo, Retro Studios contribuiu significativamente ao expandir essas habilidades em mecânicas que conversam com o design clássico da série. No entanto, o conceito do mundo semiaberto e conectado pela área central já estava firmado como diretriz criativa.

Recepção crítica e legado potencial

A recepção geral do público e da crítica especializada refletiu certo desconforto com esse formato de exploração. Apesar disso, Metroid Prime 4: Beyond conquistou avaliações respeitáveis. Com nota 8/10 em análises como a da Game Lab HQ, o jogo foi elogiado por manter a essência da franquia em suas melhores sequências, mesmo com algumas decisões questionáveis de design.

O retorno de Samus Aran em uma trama que mescla elementos tradicionais e propostas ousadas coloca Metroid novamente em evidência. Ainda que o modelo de mundo aberto tenha dividido opiniões, a fidelidade à identidade da saga segue sendo a força motriz por trás de seu apelo duradouro.

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