O mod VR de Cyberpunk 2077, desenvolvido de forma independente, foi removido da plataforma de financiamento após uma notificação por violação de direitos autorais. O criador enfrenta uma reação intensa da comunidade, que agora está redistribuindo ilegalmente seu trabalho.
Ao mesmo tempo, a CD Projekt reforça sua política de não permitir monetização não autorizada, expondo uma disputa entre propriedade intelectual e liberdade criativa de desenvolvedores independentes.
O que você vai ler neste artigo
Entenda o caso do mod VR de Cyberpunk 2077
Luke Ross, conhecido por seus populares mods em realidade virtual para jogos AAA, como Elden Ring e Days Gone, publicou um mod de VR para Cyberpunk 2077 em 2022. O projeto estava disponível exclusivamente para apoiadores em seu perfil no Patreon, onde arrecadava cerca de US$ 20 mil por mês. No entanto, essa cobrança direta pelo acesso ao mod acabou entrando em conflito com as diretrizes de uso de conteúdo da CD Projekt Red.
Conforme as regras da empresa, não é permitido gerar lucro com modificações não autorizadas baseadas em suas propriedades intelectuais. Ou seja, modders só podem distribuir esse tipo de conteúdo gratuitamente, com possibilidade de doações voluntárias. Apesar de Ross buscar um acordo para manter o mod online, a Entwickler polonesa manteve sua posição, levando à remoção do conteúdo via notificação de DMCA ao Patreon no dia 9 de janeiro de 2026.
CD Projekt Red reforça diretrizes de uso
Jan Rosner, vice-presidente de desenvolvimento de negócios da CD Projekt Red, explicou publicamente que a retirada do mod se deu pela quebra das diretrizes: o mod era pago. A empresa afirma apoiar a modificação de seus jogos, desde que não haja monetização sem uma autorização explícita. Em outras palavras, o mod VR de Ross poderia continuar disponível, mas teria que ser gratuito — algo que o criador inicialmente resistiu em fazer.
Na visão da empresa, o lucro gerado por uma criação que se baseia diretamente em sua propriedade intelectual configura uso comercial, o que exige permissão formal. Embora o mod não alterasse o conteúdo interno do jogo e dependesse do jogo original para funcionar, a CD Projekt entendeu que sua distribuição paga feria os termos de uso estabelecidos há anos para preservação da integridade legal de suas marcas.
A reação da comunidade e pirataria
Após a remoção do mod, parte da comunidade se voltou contra Ross. Muitos usuários alegaram que ele deveria simplesmente disponibilizá-lo gratuitamente, como sugerido pela própria CD Projekt. A resposta negativa se intensificou quando o modder afirmou que o desenvolvimento de uma versão isolada para apenas Cyberpunk 2077 demandaria recursos e tempo consideráveis.
A situação agravou com relatos de que usuários começaram a piratar o mod, redistribuindo-o ilegalmente como forma de “punição” por ele não acatar a exigência da empresa. Além disso, Ross relatou abusos e ameaças em suas redes sociais, além de diversos cancelamentos de assinaturas em seu Patreon. A revolta atingiu um ponto em que pessoas passaram a publicar abertamente instruções de como obter as versões pirateadas de seus mods.
A disputa legal e seus múltiplos lados
Ross sustenta que sua criação não utiliza qualquer código ou ativo pertencente ao jogo Cyberpunk 2077. Para ele, o mod VR é um framework técnico que atua como uma camada intermediária capaz de transformar a experiência de jogo sem acesso ou modificação aos arquivos originais. Ele compara seu software a ferramentas como o RivaTuner, que interceptam imagens da GPU, afirmando que isso não se configura como violação de direitos autorais.
Entretanto, sob o ponto de vista legal, o fato de seu código alterar modos de exibição e interações do jogo ainda pode ser considerado uso derivado. A ambiguidade jurídica em torno de mods e suas fronteiras com a propriedade intelectual leva a casos como este, nos quais empresas optam por proteger seus direitos com medidas preventivas, como o uso de DMCA.
Entre os argumentos que reforçam o lado do criador, está o ponto de que o mod em si é inútil sem a cópia legal do jogo. Ou seja, o conteúdo distribui valor adicional, mas não substitui o produto original, promovendo ainda mais o universo da própria CD Projekt.
Possibilidades futuras para o mod
Embora tenha resistido inicialmente, Ross declarou posteriormente não descartar a possibilidade de liberar o mod gratuitamente. Contudo, ele argumenta que isso poderia desvalorizar o trabalho já feito por apoiadores de seu projeto, além de causar complicações técnicas por conta da complexidade da ferramenta, que funciona com mais de 40 jogos.
Mesmo com a pressão pública, o desenvolvedor ainda acredita ser possível encontrar uma solução criativa. Contudo, a pirataria e as críticas direcionadas de forma agressiva o deixaram mais reticente a liberar a versão gratuita por enquanto. Neste momento, o mod segue indisponível de maneira oficial.
Enquanto isso, o caso evidencia as tensões entre modders e estúdios, principalmente quando envolvem lucros financeiros. A CD Projekt permanece firme em sua decisão, e o futuro do mod VR de Cyberpunk 2077 está indefinido — seja em retorno gratuito, reformulação técnica ou abandono definitivo da plataforma.
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