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Criador de Fallen responde às críticas sobre uso de IA

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Criador de Fallen responde às críticas sobre uso de IA — Desenvolvedor de Fallen explica uso de recursos de IA no trailer e esclarece como isso impacta o desenvolvimento do game.

Após a revelação do trailer de Fallen durante o Game Lab HQ, o debate em torno do uso de inteligência artificial reacendeu com força. Usuários reagiram negativamente, criticando a estética do vídeo e levantando suspeitas sobre a origem de seus elementos visuais.

Em resposta, o criador Brooke Burgess esclareceu que o material divulgado era um “pitch de tom” em desenvolvimento, com alguns elementos temporários gerados por IA usados apenas como rascunho conceitual.

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Reação ao trailer e críticas da comunidade

Logo após a estreia do teaser, a comunidade gamer demonstrou frustração com a possível utilização de IA para criar partes do trailer. Comentários ácidos dominaram a conversa, com frases como "Woof. Any way to unreveal it?" e "can't wait to not touch this with a 10-foot pole", destacando o repúdio ao que muitos acreditavam ser mais um exemplo de dependência criativa da IA generativa.

Muitos internautas também questionaram se os estúdios estavam realmente cientes da polêmica em torno do uso dessas ferramentas, observando que decisões desse tipo ignoram as reações negativas do público.

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Brooke Burgess explica o uso da IA

Diante da repercussão, o próprio Burgess ofereceu esclarecimentos. Segundo ele, o trailer não era um conteúdo finalizado, mas sim uma proposta de tom visual e narrativo para ser usada em conversas com possíveis investidores e editoras.

Ele admitiu que alguns ativos 2D de teste— incluindo a representação de almas perdidas, anjos caídos e elementos gráficos provisórios da HUD — foram criados com ferramentas de IA. No entanto, enfatizou:

  • Todo o gameplay mostrado é real e foi gerado com Unreal Engine 5.4.
  • A escrita é autoral, sem uso de LLMs (Large Language Models).
  • A trilha sonora é originale a dublagem foi feita por um colaborador, Kasper Michaels.
  • O desenvolvimento conta com uma equipe colaborativa, e não é uma produção solo com base em prompts de IA.

A pressão da indústria pelo uso de IA

Um ponto levantado por Burgess é a exigência, por parte de editoras, de soluções que envolvam IA para reduzir custos. Ele revelou que todos os potenciais publishers com quem conversouperguntaram sobre o uso da tecnologia no processo produtivo. O criador afirma não ser entusiasta da IA, mas reconhece o dilema:

“Se usar isso de maneira que não afete a criatividade e ainda permitir economizar, lançar o jogo e criar mais depois, é algo que preciso considerar”, explicou.

Este cenário reflete uma pressão crescente do mercado, onde cortar gastos virou quase obrigatoriedade em projetos menores ou independentes.

Fallen: o jogo e o contexto da discussão

Fallen é descrito como um dark fantasy action adventure, em que o jogador assume o papel de um anjo vingador em uma missão no Inferno para julgar demônios, almas perdidas e anjos caídos, numa tentativa de pôr fim ao ciclo de sofrimento.

Ainda sem data de lançamento ou janela confirmada, o jogo deve sair para consoles e PC. A mistura de combate visceral e elementos narrativos densos parece promissora, mas sua imagem foi ofuscada pelo debate sobre o uso de IA.

Fallen - teaser oficial destaca clima sombrio e debate sobre IAControvérsias crescentes na indústria sobre o uso de IA

O uso de inteligência artificial na criação de jogos passou a ser uma linha de divisão entre desenvolvedores e o público. Enquanto figuras como Dan Houser, ex-Rockstar, compararam a IA a “vaca louca”, por conta dos riscos de retroalimentação criativa, outros nomes da indústria apontam benefícios.

Entre os exemplos:

  • CEO da Genvid: Acredita que os consumidores, principalmente da geração Z, não se incomodam com conteúdo gerado por IA.
  • EA: Define IA como parte essencial de seu negócio.
  • Square Enix: Após reestruturação e demissões, anunciou que seria mais agressiva no uso de IA.
  • Glen Schofield, criador de Dead Space, vê na IA uma forma de “consertar a indústria”.
  • Meghan Morgan Juinio, ex-God of War, defendeu a adoção da IA como uma forma de não limitar o potencial criativo.

Esse contraste expõe a divisão atual entre visão prática e ética, especialmente em um período de incertezas trabalhistas e demissões em massa no setor.

Contexto mais amplo e impactos futuros

A polêmica envolvendo Fallen ilustra um impasse maior enfrentado pela indústria de jogos: equilibrar inovação técnica com ética criativa. Projetos independentes, ao visarem financiamento, ficam mais suscetíveis às exigências comerciais e isso pode levá-los à adoção parcial de IA, mesmo que não ideal.

Neste contexto, a reação ao trailer serve como termômetro para o que o público vê como autenticidade digital — um valor cada vez mais discutido em tempos de produção automatizada.

Por fim, o caso de Fallen mostra como a percepção pública pode ser moldada não apenas por conteúdo pronto, mas principalmente por escolhas transparentes e narrativas honestas por trás da criação de um jogo.

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